Grupo de entreajuda (jogo)

Sandra Pacheco Lemos
Última atualização em 31 de Julho de 2026, 17:23
  • Segurança
  • Estratégia

Um grupo de entreajuda é um encontro regular de pessoas com o mesmo problema de jogo, conduzido pelos próprios participantes e não por um profissional, em que se partilha experiência e se assume o compromisso de parar. Em Portugal, a estrutura mais estabelecida é a dos Jogadores Anónimos, com reuniões presenciais e por Zoom. Não custa dinheiro, não exige diagnóstico e não passa pelo operador onde jogaste. É apoio entre pares, e vive de continuidade: uma reunião isolada muda pouco.

Grupo de entreajuda

Como funciona uma reunião

Uma reunião de entreajuda tem quase sempre a mesma forma: o grupo senta-se em círculo, cada pessoa fala na sua vez e ninguém comenta o que a outra disse. Nos Jogadores Anónimos o método é o dos doze passos, herdado dos Alcoólicos Anónimos, e o primeiro desses passos é admitir que perdeste o controlo sobre o jogo.

Não pagas quota nem inscrição, e ninguém te pede o nome completo.

O que sustenta o resultado é a frequência, e não a intensidade da primeira vez. Quem vai semana após semana durante meses descreve uma mudança que raramente sente quem aparece apenas numa noite de crise, porque o grupo funciona como rotina e não como tratamento de urgência. Vais ouvir histórias muito parecidas com a tua, recaídas incluídas, e é aí que o formato se separa de uma consulta.

Reuniões fechadas e reuniões abertas

As reuniões fechadas são exclusivamente para jogadores ou para quem tem problemas com o jogo, sem diálogo cruzado. As abertas admitem familiares, amigos e terapeutas, e servem sobretudo para quem quer entender o que se passa com alguém próximo. Se o problema que te trouxe aqui é o jogo de outra pessoa, existe um circuito paralelo: as Famílias Anónimas de Jogadores reúnem-se online na segunda e na última terça-feira de cada mês, às 20h00, e o contacto para participar é o 966 496 718.

Onde encontrar grupos em Portugal

Os Jogadores Anónimos Portugal mantêm grupos presenciais em Lisboa, em Sintra e no Porto, além de reuniões por Zoom para quem não tem grupo perto de casa. Em Lisboa, o grupo «Um Novo Começo» reúne no Centro Paroquial do Campo Grande, na Campo Grande 244, às segundas e às quartas das 21h15 às 22h45 e aos sábados das 10h30 às 12h00. O contacto geral da irmandade é o 919 449 917.

Em Sintra, o grupo «Acreditar» reúne na Igreja de São Miguel, na Avenida Adriano Júlio Coelho n.º 3, na primeira quinta-feira de cada mês das 21h15 às 22h45, e o atendimento faz-se pelo 962 825 750. No Porto, a reunião presencial é às sextas das 21h30 às 23h00, na Igreja Paroquial de Leça da Palmeira, com apoio telefónico no 933 191 317.

As reuniões por Zoom repetem-se quase todos os dias da semana, entre as 21h15 e as 23h00, conforme o grupo que te receber.

Se precisas de falar com alguém antes de entrar num grupo, a Linha 1414 do ICAD é um serviço de aconselhamento psicológico anónimo, gratuito e confidencial na área dos comportamentos aditivos, incluindo a dependência do jogo. Funciona todos os dias úteis das 10h00 às 18h00 e responde também por e-mail, em [email protected]. É a porta de entrada mais fácil de empurrar, e é a única destas com horário de escritório — o grupo de entreajuda existe justamente à hora em que a vontade de jogar aparece.

O que o grupo não substitui

O grupo de entreajuda não é terapia, não emite diagnóstico e não bloqueia o teu acesso às plataformas de jogo. Confundir as duas coisas custa dinheiro: quem sai de uma reunião convencido de que já está protegido continua com a conta ativa e com os meios de pagamento associados a ela.

O que trava mesmo o acesso é a autoexclusão.

Pedida no sítio do SRIJ, a autoexclusão impede o jogo nas presenças na Internet de todas as entidades exploradoras licenciadas, ao abrigo do artigo 39.º do Regime Jurídico dos Jogos e Apostas Online, aprovado pelo Decreto-Lei n.º 66/2015, de 29 de abril. O período mínimo é de três meses e perdura até à data que indicares ou, na falta dessa indicação, por tempo indeterminado. A comunicação do termo da autoexclusão só se torna eficaz um mês depois de ser feita, e é exatamente essa fricção que um grupo não te consegue dar.

Põe as ferramentas por ordem de eficácia. A autoexclusão é a mais forte, porque não depende da tua vontade no momento seguinte. Os limites de depósito que tu próprio defines são a peça mais fraca, porque podes alterá-los a qualquer hora. O grupo de entreajuda é o que mantém a decisão de pé quando o bloqueio técnico chega ao fim, e uma autoexclusão sem apoio humano costuma valer apenas o tempo que dura.

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