Perseguição de perdas
Perseguição de perdas é o comportamento de continuar a apostar, ou de voltar a apostar noutro dia, com o objetivo de recuperar dinheiro que já perdeu. O DSM-5 inclui esta conduta entre os critérios de diagnóstico do transtorno de jogo, na formulação «depois de perder dinheiro a jogar, volta frequentemente noutro dia para ficar à parelha». Reconhece-se pelo que acontece à aposta depois da perda, e não pela perda em si, porque perder faz parte de qualquer jogo com vantagem para a casa. Perseguir é outra coisa: é deixar a perda anterior decidir o tamanho da aposta seguinte.

Como se mede a perseguição
Não há um limiar universal em euros nem um número de apostas a partir do qual o comportamento passa a contar. A perseguição mede-se por comparação com o seu próprio padrão de jogo, e por isso dois jogadores com o mesmo prejuízo podem estar em situações muito diferentes.
A investigação feita sobre registos reais de contas de jogador traduz essa comparação num desvio: a aposta que acabou de fazer é lida em unidades de desvio-padrão face à sua própria média corrente. Os trabalhos mais recentes acompanham esse desvio em mais do que um eixo, olhando ao valor apostado, à odd escolhida e ao intervalo entre apostas. Outros usam apenas os depósitos, registando quanto sobe o montante que deposita depois de uma sessão perdida.
O que o operador consegue ver
No histórico da sua conta a perseguição aparece antes de a reconhecer em si mesmo. Fica registada em depósitos repetidos no mesmo dia, em apostas a subir depois de cada perda e em sessões que se prolongam. O DSM-5 avisa que muitos jogadores perseguem perdas durante períodos curtos, e que o que caracteriza a doença é a perseguição frequente e prolongada.
Um episódio isolado não é um diagnóstico.
Onde encontra a perseguição
Encontra-a sobretudo nos produtos rápidos, onde a ronda seguinte começa segundos depois de a anterior ter corrido mal: slots, casino ao vivo, apostas em direto. Aparece também no fim do saldo, quando faz um depósito não planeado para continuar a mesma sessão.
E aparece nas ofertas comerciais, porque um cashback ou um bónus de recarga chega normalmente depois de uma perda e dá-lhe uma razão para voltar de imediato.
As ferramentas que travam este ciclo nos sites licenciados em Portugal estão fixadas nos requisitos técnicos do sistema técnico de jogo online, definidos pelo Regulamento n.º 903-B/2015. O sistema tem de lhe permitir definir limites de depósito diário, semanal e mensal, e um pedido de redução do limite é aplicado de imediato às interações futuras. A autoexclusão tem duração mínima de três meses ou período indeterminado. O alcance depende de onde a pede: no site do operador vale apenas para esse site, na plataforma do SRIJ vale para todos os sites licenciados em Portugal.
Por eficácia real, a autoexclusão pelo SRIJ vem à frente de tudo, porque fecha a porta em todo o mercado licenciado. Seguem-se os limites de depósito, que valem um site cada. Os avisos de sessão são a ferramenta mais fraca: informam e não impedem nada.
Para falar com alguém, a Linha 1414 é gratuita, anónima e confidencial, funciona nos dias úteis das 10 às 18 horas e responde também por correio eletrónico em [email protected]. A autoexclusão não se pede por essa linha; reclamações sobre um operador dirigem-se ao SRIJ, que publica o telefone 211 140 200.
Perseguição, martingale e tilt
A confusão mais comum é entre perseguição de perdas e martingale. O martingale é um sistema de apostas, com uma regra escrita — duplicar depois de cada perda e voltar à unidade inicial depois de uma vitória —, enquanto a perseguição é o comportamento de tentar recuperar, com ou sem sistema.
Quem duplica está a perseguir com uma folha de cálculo; continua a perseguir.
A aritmética mostra porque é que o sistema não resolve nada. Com uma unidade inicial de 10 euros, oito perdas seguidas deixam 2 550 euros já perdidos e uma nona aposta de 2 560 euros para recuperar dez. Esse valor bate no limite máximo da mesa ou no saldo da conta antes de a vitória chegar. Duplicar não altera a vantagem da casa em nenhuma aposta individual; muda a forma das perdas, trocando muitos ganhos pequenos por uma perda rara e enorme.
Perseguição também não é tilt. O tilt descreve o estado emocional depois da perda, com decisões tomadas com raiva ou pressa, e pode até levar a apostar menos; a perseguição define-se pelo objetivo de recuperar o que perdeu.
E não é gestão de saldo. Aumentar a aposta porque a banca cresceu segue um plano feito antes da sessão; aumentá-la porque a banca encolheu é o oposto disso, e é este o comportamento que a literatura clínica trata como marcador de dano.



