Jogos Santa Casa relançam campanha que mostra o destino de mais de 700 milhões em receitas

Rui Bernardes Vilaça
Última atualização em 20 de Outubro de 2026, 14:36
  • Notícias da Indústria

Quem aposta nos jogos sociais do Estado volta a encontrar nos meios de comunicação uma explicação sobre o destino do dinheiro que sobra depois dos prémios. A 15 de outubro de 2026, a Santa Casa da Misericórdia de Lisboa anunciou o regresso da campanha dos Jogos Santa Casa «Quando joga um português, ganham logo 2 ou 3». O objetivo declarado mantém-se: mostrar à sociedade como vários setores beneficiam das receitas dos jogos sociais, que em 2025 ascenderam a mais de 700 milhões de euros. A campanha é acompanhada pelo microsite «Uma Boa Aposta», onde podem ser consultadas as entidades beneficiárias e o montante atribuído a cada uma.

Jogos Santa Casa relançam campanha sobre destino de mais de 700 milhões em receitas

O que regressa com a campanha dos jogos sociais

Para o apostador, a novidade prática está menos nos anúncios do que na ferramenta que os acompanha. O microsite «Uma Boa Aposta» permite consultar todas as entidades beneficiárias das receitas e o valor que cada uma recebeu, segundo a nota publicada pela Santa Casa.

A campanha recorre a vários exemplos para identificar onde são aplicadas as receitas e quais as áreas beneficiadas em diferentes pontos do país. Saúde, Educação, Proteção Civil e Desporto estão entre as áreas escolhidas para figurar nas peças, que voltam a ter como banda sonora uma versão adaptada da música popular «Vais partir», de Clemente.

A nota de 15 de outubro não indica a duração desta nova vaga nem os meios em que será difundida.

Primeira vaga em maio

A campanha não é nova. Arrancou a 13 de maio de 2026, assinada pela Agência NOSSA, com presença em televisão, rádio, exteriores, rede multibanco e formatos digitais. Na apresentação de então, a Santa Casa descreveu o propósito como mostrar aos apostadores, «de uma forma transparente e pedagógica», para onde são canalizadas as receitas. As peças de maio destacavam exemplos concretos dentro das quatro áreas principais, como a reabilitação, as bolsas de educação, os Bombeiros e o desporto adaptado. Já a letra da música referia outras áreas apoiadas, entre elas a ação social, a cultura, a habitação e o apoio às crianças e jovens.

A lei que fixa a repartição das receitas

A campanha descreve o efeito; a repartição em si não depende da Santa Casa nem da publicidade. Está fixada no Decreto-Lei n.º 56/2006, de 15 de março, que regula a distribuição dos resultados líquidos dos jogos sociais explorados pela Santa Casa da Misericórdia de Lisboa.

O diploma foi alterado várias vezes, a última das quais pelo Decreto-Lei n.º 25/2025, de 19 de março. Na versão consolidada publicada no Diário da República, cabem ao Ministério da Saúde 15,70% dos resultados líquidos de exploração, enquanto a própria Santa Casa recebe 26,52% para projetos integrados nos seus fins estatutários. O mesmo texto obriga a instituição a enviar às entidades beneficiárias um relatório trimestral sobre esses resultados.

O que a lei manda e o que o microsite mostra são, assim, planos diferentes.

As percentagens decorrem do decreto-lei, ao passo que os montantes concretos por entidade são os que a Santa Casa divulga no «Uma Boa Aposta». A nota de 15 de outubro não discrimina, por beneficiário, os mais de 700 milhões de euros de 2025, pelo que esses valores devem ser lidos diretamente no microsite e não deduzidos das percentagens legais.

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