Open Banking (banca aberta)

Bruno Mesquita
Última atualização em 26 de Junho de 2026, 13:01
  • Pagamentos
  • Segurança

Open banking é o acesso de prestadores externos aos dados de uma conta bancária, ou à iniciação de pagamentos a partir dela. Depende sempre de autorização expressa do titular, e os bancos são obrigados a disponibilizar interfaces próprios para esse acesso. Em Portugal o enquadramento vem da diretiva europeia de serviços de pagamento revista, transposta pelo Decreto-Lei n.º 91/2018. Essa lei regulou dois serviços distintos: informação sobre contas e iniciação de pagamentos. Num casino online, o jogador encontra o conceito no depósito, quando é reencaminhado para a autenticação do seu próprio banco em vez de escrever dados de cartão.

Open Banking

Como funciona a iniciação de pagamento

O modelo assenta em dois serviços que a diretiva definiu de forma expressa. O serviço de informação sobre contas, conhecido pela sigla AISP, reúne saldos e movimentos de contas detidas em instituições diferentes num único ecrã. O serviço de iniciação de pagamentos, o PISP, ordena uma transferência a partir da conta do utilizador, sem que este entre no homebanking do banco onde a conta está domiciliada.

Em nenhum dos dois casos o prestador fica com credenciais para uso livre. O acesso depende de consentimento explícito e de autenticação forte junto do banco, e restringe-se à informação necessária ao serviço pedido. Os prestadores têm de estar registados no Banco de Portugal ou noutra autoridade do Espaço Económico Europeu. É essa autorização que distingue um PISP de um formulário qualquer que peça credenciais bancárias, e não a marca comercial do serviço.

O lado do banco: o interface dedicado

Os bancos nacionais expõem estas funcionalidades sobretudo através da SIBS API Market, plataforma aberta lançada com 18 entidades financeiras portuguesas.

O acesso aos dados também não é permanente: o consentimento de informação sobre contas caduca e tem de ser renovado. A leitura por cópia do ecrã do homebanking não é aceite como via de acesso. A revisão europeia das regras de pagamentos já acordada reforça esse desenho, com interfaces dedicados obrigatórios e um painel onde o utilizador vê e retira as autorizações que deu.

Open Banking e MB WAY lado a lado

O open banking é confundido com MB WAY por duas razões. Ambos dispensam o número do cartão e terminam num ecrã de autenticação do banco. A comparação abaixo separa o serviço de pagamento regulado pela diretiva daquilo que é, na prática, um esquema nacional de pagamentos assente na conta.

Open Banking (iniciação)

MB WAY e Multibanco

Prestador autorizado transmite a ordem ao banco do jogadorOrdem nasce na app MB WAY ou no pagamento de uma referência
A conta debitada é, por construção, a conta titulada pelo utilizadorReferência pode ser paga por conta de terceiro sem aviso ao operador
Disponibilidade nos sites licenciados pelo SRIJ varia muito entre operadoresPresente na generalidade dos operadores licenciados, em depósito
Serve quase sempre só para depositar; o levantamento volta a ser transferênciaAlguns operadores devolvem saldo por MB WAY, outros só por transferência

Onde o jogador se cruza com isto

No depósito o percurso é curto: o jogador escolhe o método e é reencaminhado para o ambiente do seu banco. Confirma com a autenticação habitual e regressa ao casino com o saldo já creditado.

Do lado da saída, o open banking não altera a regra que importa. O Regulamento n.º 836/2015 obriga a entidade exploradora a ordenar a transferência do saldo para a conta de pagamento indicada e titulada pelo jogador. O prazo máximo é de 48 horas. A orientação do SRIJ sobre levantamentos admite recusa apenas em casos excecionais fundamentados. Esse prazo aplica-se à ordem, não à chegada do dinheiro: primeiro o pedido, depois a aprovação interna com identidade já verificada e, por fim, o crédito na conta bancária pelo circuito interbancário.

É aqui que a expressão «levantamento instantâneo» merece reserva. Nenhum prestador de iniciação de pagamentos encurta a aprovação interna do operador, e um pedido com documentos de KYC pendentes fica parado qualquer que seja o método. Para transferência, os prazos anunciados pelos operadores situam-se tipicamente entre 1 e 5 dias úteis após aprovação.

A titularidade é o ponto em que estes serviços ajudam de verdade, porque a ordem parte da conta do próprio jogador e fecha a porta a depósitos pagos com dinheiro de terceiros.

O que o open banking não é

Não é uma carteira eletrónica. Em Skrill ou Neteller existe um saldo intermédio que fica na plataforma, enquanto na iniciação de pagamentos o dinheiro sai da conta bancária e entra na conta de jogador sem paragem no meio.

Também não é licença nem selo de idoneidade. Um prestador de iniciação de pagamentos é supervisionado como instituição de pagamento. Isso nada diz sobre a licença de jogo do site onde está integrado, que continua a confirmar-se na lista de entidades autorizadas pelo SRIJ.

Ler dados e mover dinheiro são coisas diferentes

A confusão mais comum é tratar AISP e PISP como o mesmo serviço. Uma autorização de informação sobre contas deixa o prestador consultar saldos e histórico, muitas vezes ao serviço de análise de risco, e não lhe permite retirar um cêntimo. A iniciação de pagamentos é o contrário: cada ordem é autorizada individualmente, com autenticação forte, e não abre acesso continuado ao extrato. O que interessa perceber num pedido de consentimento é qual dos dois está a ser pedido e por quanto tempo.

A disponibilidade varia bastante entre os operadores licenciados em Portugal. O método aparece muitas vezes com a marca do prestador em vez do termo técnico, o que leva o jogador a pensar que está diante de um serviço totalmente distinto.

Últimos Guias

0 %
0
0