Jogo ilegal retirou 118 milhões de euros em impostos ao Estado
O Estado pode ter deixado de cobrar 118 milhões de euros em impostos em 2025 por causa da atividade de sites de jogo online sem licença. A estimativa é da Associação Portuguesa de Apostas e Jogos Online e foi avançada a 16 de setembro de 2026 pelo Jornal Económico. O montante equivale a um terço dos 353 milhões de euros que o Imposto Especial de Jogo Online rendeu no mercado licenciado nesse ano. Os valores da receita fiscal são do Serviço de Regulação e Inspeção de Jogos. A estimativa partiu de Ricardo Domingues, presidente da APAJO, no âmbito do estudo «Hábitos de Jogo Online dos Portugueses», realizado pela Aximage para a associação.

Como a APAJO chegou aos 118 milhões
Quem aposta em sites sem licença fica fora do perímetro fiscal português, e é essa fuga que a APAJO traduziu em 118 milhões de euros de imposto não cobrado em 2025. O valor corresponde a cerca de um terço dos 353 milhões de euros que o Imposto Especial de Jogo Online rendeu no mercado licenciado nesse ano, segundo os dados do Serviço de Regulação e Inspeção de Jogos citados pelo Jornal Económico.
A conta parte de um pressuposto declarado pela associação: uma quota mínima de 25% das receitas atribuída aos operadores ilegais, com uma distribuição da atividade entre produtos semelhante à do mercado licenciado. Ricardo Domingues explicou que os 100 milhões de euros apontados para 2024 funcionam como «bitola mínima», calculada a partir do limiar mais baixo das estimativas da APAJO sobre a quota de mercado dos sites sem licença. Aplicado ao ano seguinte, o mesmo método dá 118 milhões.
É o segundo ano consecutivo em que a associação estima uma perda equivalente a um terço da receita fiscal efetivamente arrecadada.
Os números do mercado legal enquadram a comparação. Em 2025, o IEJO rendeu 353 milhões de euros sobre um volume total de apostas online superior a 23 mil milhões de euros. Em 2024, a receita fiscal tinha sido de 300 milhões, com 20 mil milhões de euros apostados. A perda estimada pela APAJO para esse ano ficou nos 100 milhões. A associação sublinha que o valor mais recente é uma estimativa, e não um montante apurado pela Autoridade Tributária.
O que o estudo da Aximage mostrou
O estudo realizado pela Aximage sustenta a leitura da associação sobre a dimensão do mercado paralelo. Em 2026, 40% dos inquiridos que jogaram durante o ano identificaram marcas sem licença entre as plataformas utilizadas, percentagem que se manteve face às edições anteriores. Uma análise acrescentada nesta edição indica que a esses 40% podem somar-se outros 8% que recorreram a marcas ilegais não apresentadas no questionário. Ricardo Domingues referiu ainda que os utilizadores de plataformas ilegais gastam mais por mês em jogos e apostas online do que os restantes.
Publicidade, influenciadores e pagamentos
Durante o Mundial de Futebol, a APAJO conduziu a campanha VAR Mundial e, nos 39 dias da competição, validou e publicou 500 casos de publicidade ao jogo ilegal. O relatório dessa campanha foi entregue a 12 entidades. Dos 500 casos, 131 eram publicações de influenciadores, com 34 perfis diferentes identificados, e um deles promoveu 11 marcas distintas naquele período.
Quanto aos pagamentos, a associação diz não ter notado evolução no último ano: métodos portugueses como o Multibanco e o MB WAY continuam a ser referidos por operadores sem licença, que usam a rapidez das transações como argumento de comunicação.
A APAJO afirma ter registado nos últimos meses «sinais encorajadores por parte do Estado», com maior clareza na atribuição de responsabilidades e uma coordenação mais efetiva entre as entidades envolvidas. A associação diz esperar, nos próximos meses, um salto na repressão do jogo ilegal na publicidade, nos pagamentos e no acesso aos sites. O ano assinala o décimo aniversário do lançamento dos primeiros operadores licenciados em Portugal.



