Chega questiona Governo dos Açores sobre aumento do jogo a dinheiro entre alunos

Sandra Pacheco Lemos
Última atualização em 5 de Novembro de 2026, 16:02
  • Notícias da Indústria

O Chega/Açores anunciou, na terça-feira, 3 de novembro de 2026, que questionou o Governo Regional, formado por PSD, CDS-PP e PPM, sobre o crescimento da dependência do jogo a dinheiro e das apostas online na região. A iniciativa tomou a forma de um requerimento entregue na Assembleia Legislativa Regional. O partido apoia-se em dados do Instituto para os Comportamentos Aditivos e as Dependências (ICAD), que apontam para um aumento da prevalência do jogo a dinheiro entre alunos açorianos dos 13 aos 18 anos entre 2019 e 2024. O requerimento pergunta o que foi feito na prevenção e no tratamento da dependência do jogo.

Chega questiona aumento do jogo a dinheiro e apostas online entre alunos nos Açores

Os números do ICAD que motivaram o requerimento

Segundo o comunicado do partido, a situação é «preocupante» e os dados conhecidos apontam para «um aumento exponencial da prevalência do jogo a dinheiro entre alunos açorianos dos 13 aos 18 anos, entre 2019 e 2024». O Chega acrescenta que esses valores representam uma subida de cerca de 11 pontos percentuais, ou seja, quase o triplo do registado anteriormente.

Os números vêm do estudo ECATD-CAD 2024 do ICAD, que inquire alunos do ensino público sobre álcool, tabaco, drogas e outros comportamentos aditivos. Tal como o Açoriano Oriental noticiou em dezembro de 2025, a prática de jogo a dinheiro nesta faixa etária passou nos Açores de 5,8% em 2019 para 17% em 2024.

O contraste com o ponto de partida é marcado.

No relatório de 2019, a Região Autónoma dos Açores aparecia destacada por uma prevalência muito inferior à das outras regiões do país, cerca de sete pontos percentuais abaixo. Esse mesmo relatório indicava que, entre os alunos que tinham jogado recentemente, a grande maioria (80%) não usara a Internet para o fazer, o que torna relevante a pergunta do partido sobre a componente online.

O que o Chega quer saber do executivo regional

O requerimento incide sobre o crescimento do jogo a dinheiro e das apostas online, «bem como o que tem sido feito ao nível da prevenção e do tratamento» da dependência do jogo. As perguntas concretas dirigidas ao executivo de coligação são quatro.

O partido quer saber quantos açorianos procuraram ajuda devido à dependência do jogo e que respostas especializadas existem no Serviço Regional de Saúde. Pede também o número de ações de prevenção realizadas nas escolas e os recursos financeiros destinados a combater o fenómeno.

«O Governo [Regional] tem a obrigação de prevenir, acompanhar e ajudar quem está a enfrentar este problema», defendeu José Pacheco, líder parlamentar do Chega nos Açores e líder do partido na região. Segundo o mesmo dirigente, os deputados não querem «mais promessas nem planos para ficar no papel», mas antes «respostas, medidas concretas e resultados».

Até à publicação desta notícia, não foi encontrada nas fontes consultadas uma resposta do Governo Regional ao requerimento.

Menores, proteção legal e onde pedir ajuda

O jogo a dinheiro online é proibido a menores em Portugal, nos termos do artigo 6.º do Regime Jurídico dos Jogos e Apostas Online, aprovado pelo Decreto-Lei 66/2015. As entidades licenciadas pelo SRIJ são obrigadas a verificar a identidade do jogador no registo, o que torna a idade um dos primeiros filtros do sistema.

Esse filtro tem limites claros. Uma conta aberta em nome de um adulto, ou um site sem licença portuguesa, escapa à verificação, e é por isso que os controlos parentais no telemóvel e no banco contam tanto como as regras do operador.

Se tem um filho ou um aluno nesta faixa etária e desconfia de que o jogo deixou de ser brincadeira, a Linha Vida do ICAD atende pelo número 1414, de forma gratuita e confidencial.

Gostou deste artigo? Partilhe com os outros:

0 %
0
0