Estoril-Sol prepara saídas negociadas após prejuízos de 25,3 milhões

Tiago Sequeira
Última atualização em 24 de Setembro de 2026, 13:57
  • Notícias da Indústria

A Estoril-Sol pretende utilizar uma provisão de 3,3 milhões de euros para negociar acordos bilaterais de saída com trabalhadores, depois de ter reportado prejuízos de 25,3 milhões de euros no exercício de 2025. A informação foi avançada pelo presidente da Associação Portuguesa dos Empregados de Banca de Casino, Gonçalo Portela. As contas da concessionária dos casinos do Estoril e Lisboa incluem ainda uma perda por imparidade de 13,2 milhões de euros e uma provisão destinada à reestruturação do negócio, entretanto iniciada.

Estoril-Sol prepara saídas de trabalhadores após prejuízos de 25,3 milhões

Prejuízos de 25,3 milhões desencadeiam reestruturação

A Estoril-Sol reportou prejuízos de 25,3 milhões de euros no exercício de 2025. O resultado líquido atribuível aos acionistas da casa-mãe voltou a ser negativo, depois de perdas de 12 milhões de euros em 2024.

A diferença entre os dois exercícios é expressiva: as perdas de 2025 foram superiores às de 2024, enquanto a empresa avançou com uma revisão do valor de recuperação dos ativos afetos à zona de jogo do Estoril. Essa revisão levou ao reconhecimento de uma perda por imparidade de 13,2 milhões de euros, acima dos 6,8 milhões registados em 2024.

Uma imparidade — redução contabilística do valor recuperável de um ativo — não corresponde, por si só, a uma saída imediata de caixa. Ainda assim, agrava o resultado apresentado e torna mais visível a pressão financeira sobre a operação. Entre a perda por imparidade de 13,2 milhões de euros e a provisão de 3,3 milhões, a primeira representa o impacto contabilístico mais elevado; a provisão é o instrumento diretamente associado à reestruturação.

Acordos bilaterais são a solução em preparação

Segundo Gonçalo Portela, presidente da Associação Portuguesa dos Empregados de Banca de Casino, o grupo pretende utilizar a provisão de 3,3 milhões de euros para negociar com trabalhadores acordos bilaterais de saída. A informação disponível não indica quantos trabalhadores poderão ser abrangidos, nem apresenta um calendário para a conclusão das negociações.

A alternativa em preparação é, assim, uma saída negociada, e não um número de despedimentos já anunciado. A primeira opção é menos definida quanto ao impacto laboral, porque depende de acordos individuais; a segunda seria mais gravosa para os trabalhadores, mas não foi confirmada nas informações disponíveis. O ponto factual é que a empresa reconheceu encargos para a reestruturação do negócio e está a ser associada a negociações de saída.

Também não foi divulgada, nas informações consultadas, qualquer decisão sobre uma injeção de capital por parte dos acionistas. Essa ausência não permite concluir que tal medida esteja prevista ou descartada.

Reuniões com trabalhadores estão previstas para o final de setembro

Está prevista para 30 de setembro uma reunião do secretário de Estado do Turismo, Pedro Machado, com representantes dos trabalhadores da Estoril Sol III, designadamente porta-vozes da comissão de trabalhadores e do Sindicato de Hotelaria do Sul. O encontro foi marcado perante a gravidade atribuída à situação financeira da empresa e as críticas ao silêncio da administração e das entidades públicas competentes.

Para 1 de outubro está prevista a primeira conversa entre a gestão e os órgãos representativos dos trabalhadores depois da divulgação das contas. Estas reuniões deverão clarificar se existem despedimentos sinalizados pela empresa e qual o alcance concreto da reestruturação. Até essa clarificação, os dados confirmados limitam-se aos prejuízos de 25,3 milhões de euros, à provisão de 3,3 milhões e à intenção de negociar saídas bilaterais.

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